Por Fred Affonso Ferreira
É comum pensar na natureza como algo distante da vida urbana. Antes de se tornar uma metrópole de concreto, São Paulo nasceu entre rios. O Pátio do Colégio, marco inicial da cidade, foi erguido em uma colina cercada pelo Tamanduateí e pelo Anhangabaú.
Séculos depois, a capital cresceu afastando de sua paisagem cotidiana a água, a vegetação e parte da biodiversidade que marcaram sua origem. O resultado aparece no calor acumulado nas ruas, na falta de sombra para quem caminha e na dificuldade cada vez maior de fazer a água da chuva encontrar espaço no solo.
Pesquisa da Universidade de São Paulo, divulgada em maio deste ano, aponta que as áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo podem atingir 60°C de temperatura de superfície no verão, enquanto regiões mais frias, associadas à maior cobertura vegetal e à presença de corpos d’água, chegam a, no máximo, 25°C.
O dado mostra, de forma concreta, que a diferença entre uma cidade tomada pelo concreto e uma cidade que preserva árvores, sombra e solo permeável interfere diretamente na temperatura, no conforto urbano e na forma como as pessoas vivem o espaço público.
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https://observatorio3setor.org.br/sao-paulo-precisa-preservar-a-natureza-que-ainda-tem/





